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Storytelling na Comunicação Interna? 8 elementos para criar histórias memoráveis

Comunicação Interna

Storytelling na Comunicação Interna? 8 elementos para criar histórias memoráveis

Cristiano Sacramento
Escrito por Cristiano Sacramento em 15 de julho de 2020

Storytelling é a arte de contar histórias, mas isso não é novo. Já usamos essa técnica desde o início dos tempos.

Mas, o que torna uma história tão cativante?

Cena do Filme Titanic Storytelling
Titanic, 1998

É seu poder de conectar com pessoas através de emoções.

Por exemplo, quando você assiste a um filme de terror, a intenção do autor é te deixar desconfortável, alerta e claro, com medo. 

Esses sentimentos te fazem entender melhor o filme, pois eles transmitem as mesmas emoções sentida pelo personagem da história. Ou seja, elas te colocam na “pele do personagem”.

Quando isso acontece, você cria empatia com o personagem e começa a se importar com o que vai acontecer com ele. 

Então, de repente você percebe que já está há mais de uma hora com os olhos vidrados e cheio de tensão aguardando a resolução da trama.

Ok, então o que acontece quando você mistura uma boa história com sua comunicação interna?

Isso mesmo, você cria mensagens impossíveis de ser ignoradas e que ficarão guardadas na memória dos seus colaboradores. 

Mas, presta muita atenção ao que vou dizer agora:

Você só vai criar uma mensagem irresistível usando Storytelling, se a sua história for realmente boa.

Afinal, filmes ruins são facilmente esquecíveis.

Mas, fique tranquilo. Você não vai precisar estudar com os grandes roteiristas de Hollywood, ou inventar estórias para cativar seus colaboradores, afinal, sua empresa está recheada de boas e verdadeiras histórias. 

Certo, mas o que você precisa aprender para criar boas histórias? 

Você precisa aplicar os 8 elementos que os grandes roteiristas utilizam para criar histórias memoráveis e irresistíveis. 

Como eu disse, fique tranquilo, pois qualquer pessoa pode aprender e aplicar esses 8 elementos na sua empresa, sem jamais ter escrito uma única história na vida. 

De onde tirei esses 8 elementos?

Aprendi diretamente com a maior referência em Storytelling no Brasil, o Joni Galvão

O Joni já ajudou a Nestlé, Visa, Danone e outras dezenas de empresas a criarem e contarem histórias memoráveis. 

Esses 8 elementos foram extraídos do Livro SUPER HISTÓRIAS no universo corporativo

Então, está preparado para começar usar o Storytelling na sua comunicação interna e criar histórias memoráveis? 

Separe um bloco de notas em papel ou celular para fazer suas anotações e não perca nenhum detalhe. 

Vamos aos 8 elementos do Storytelling

8 elementos do storytelling segundo Joni Galvão

Os elementos de sustentação

Assim como uma casa precisa de uma boa estrutura para se manter em pé, sua história precisa desses quatro elementos para sustentá-la. São eles:

#1 A ideia governante

Se os 8 elementos são as bases para se criar uma boa história, a ideia governante é a base de todos eles.

Vou explicar melhor…

A ideia governante é a mensagem principal da sua história. Ela precisa ser tão clara e impactante, que ficará na mente do seu colaborador ao final da apresentação. Segundo Joni, a ideia governante é o saldo da história, ou seja, é o resultado do início e começo dela.

Agora, se a ideia governante é: “precisamos melhorar nossos números”, ou, “precisamos de mais colaboração na empresa”, certamente não ficará gravada na mente dos colaboradores, pois quem aí não sabe da importância dessas duas questões?

Por outro lado, se a mensagem fosse: “precisamos começar a pensar como donos da empresa, caso contrário corremos o risco de sermos esmagados pelo mercado”, ou ainda, “se cada um fizer apenas a sua parte sem ajudar o outro, corremos o risco de sermos a melhor empresa egoísta para se trabalhar”.

Agora, analise às duas ideias e pense em qual te causaria mais impacto.

Certo, mas existe uma forma de desenvolver sua ideia governante?

De acordo com Joni Galvão, algumas perguntas podem te ajudar a construir a sua ideia governante:

  • O que você quer da sua audiência?
  • Como você imagina o começo da sua história?
  • Nesse início, o que você imagina que a audiência estará pensando sobre você e sua ideia?
  • Como imagina o final da história?
  • Considerando esse final, o que você imagina que a audiência irá sentir, pensar e fazer?

#2 O universo da história

Esse elemento funciona como um “limitador criativo”, portanto se trata de quais são os limites intransponíveis da sua história.

Imagina que você decidiu gravar um vídeo de 3 minutos para passar uma mensagem aos seus colaboradores.

Nesses três minutos você quer falar sobre: propósito, engajamento, novidades e outros assuntos…

Como explicado no primeiro elemento (ideia governante), sua mensagem principal precisa ser clara e impactante. Agora, quais as chances de você deixar apenas uma única grande mensagem ao final deste vídeo com 4 ou 5 assuntos diferentes? 

Ok, você deve ter percebido que o Universo da História tem a ver com foco. Pois sem foco sua história corre o risco de ser facilmente esquecível. 

Sendo assim, ao invés de abordar vários assuntos em uma mesma história, tente focar em apenas um, ou defina alguns elementos chaves que te ajudarão a passar sua ideia governante. 

Por exemplo, se a intenção é contar a história da empresa, escolha apenas os 4 ou 5 cinco momentos mais importantes ao invés de ser minucioso em cada detalhe. 

“O Fato é que se não impusermos limites a nossa própria criatividade, se não estabelecermos um universo de atuação, corremos o risco de ir longe demais, extrapolar, perder a mão”

Contudo, atente-se a isso: outros fatores podem limitar o universo da sua história, como: tempo para apresentação (se esta história for contada em um evento ou em vídeo, por exemplo), perfil da audiência e até espaço físico – como em um auditório. 

Como definir o universo da sua história?

Para te ajudar e definir o universo da sua história, Joni Galvão sugere que você reflita e responda algumas perguntas:

  • Qual será o tempo disponível para se contar a história?
  • O que a história deve ter para atender ao desejo da audiência?
  • Sobre o que será a história?
  • O tema será tratado diretamente ou através de uma metáfora?
  • Quando e onde acontecerá a história?

Bom, agora você já tem 2 elementos de sustentação para sua história. Talvez, tenha sentido falta de um elemento presente em toda e qualquer história, mas sobre ele vamos falar no próximo parágrafo.

#3 O protagonista e seu desejo

Só agora começamos a falar sobre o protagonista e não foi por acaso. 

Mas, para entender melhor a razão do protagonista só aparecer agora, você precisar ter lido os 2 elementos anteriores: ideia governante e o universo da história. 

Com isso você quer dizer que a ideia governante e o universo da história são mais importantes que o protagonista?

Na verdade, sim e não. 

Deixa-me explicar melhor: não existem histórias sem protagonista (e ele não precisa ser humano ou ser fácil de identificar), mas, ao mesmo tempo, você pode ter a ideia governante e o ambiente da história sem ainda ter o protagonista.

Ou seja, o protagonista é fruto da ideia governante e do ambiente da história. 

Ainda confuso?  Vou ser mais claro: o seu protagonista deve ser capaz de explorar a sua ideia governante dentro do universo criado.

Sendo assim, quando você escolhe o protagonista depois de ter a ideia governante e o ambiente da história, é mais fácil escolher o estilo, sexo , idade e outros aspectos que vão combinar melhor com sua mensagem principal. 

Agora, para sua audiência realmente se importar com o protagonista, ele deve gerar identificação com ela. Mas como fazer isso?

Existem várias maneiras de criar conexão entre seu protagonista e sua audiência, mas como quero ser objetivo neste artigo, vou te dar uma dica fácil para você desenvolvê-la.

Seu protagonista deve ser humano ou “humanizado”

Antes de mais nada, é necessário deixar claro que seu protagonista não precisa ser uma pessoa (como o CEO da sua empresa). Ele pode ser sua marca, um produto, um cliente ou outro personagem com o qual você possa desenvolver a ideia governante. 

Dito isto, seja qual for o personagem escolhido, ele precisa ser “humano” ou “humanizado”. Mas por quê? Pelo simples fato de, como humanos, compartilhamos das mesmas emoções e sentimentos. Ou seja, é mais fácil de criar uma conexão quase instantânea.

Ok, entendi: só eu escolher uma pessoa ao invés de um objetivo. Mas, quando o protagonista da história não é humano?

Neste caso, você precisa humanizá-lo. Existem algumas formas para isso, que vão do design aos sentimentos e emoções que ele carrega. 

Humanização no Design do personagem

Quem faz muito bem a humanização de personagens: é a Disney. Você já reparou como os traços do Simba do filme Rei Leão se parecem com os de uma criança?

Cena do Filme “O rei Leão” Disney, 1994

Note os olhos grandes e arredondados, bochechas, nariz e até “sobrancelhas”. Nada por acaso, o desejo do autor é te fazer lembrar de um bebê humano. 

Ainda que você não tenha percebido, seu cérebro não resiste a força de criar comparações para facilitar a compressão da cena. 

No entanto, se seu protagonista for um produto, por exemplo, você não vai se dar ao trabalho de redesenhá-lo para incluir aspectos humanos, certo?

Humanização através de sentimentos e emoções

Neste caso, você pode explorar sentimentos que este produto desperta. Por exemplo, você deseja comunicar aos colaboradores sobre um novo produto para donas de casa que não sabem o que fazer com os filhos durante o período de férias. 

Um sentimento associado a este produto seria o de alívio, afinal, qual dona de casa não se sentiria aliviada ao saber que o filho vai ter o que fazer em casa durante as férias? 

Logo, desenvolver seu protagonista a partir do sentimento de alívio, vai ajudar sua audiência a se identificar melhor com ele – principalmente se a maioria de seus colaboradores forem pais ou mães. 

A humanização do seu personagem será útil para criar identificação “quase instantânea”, pois assim como é impossível descobrir tudo sobre uma pessoa no primeiro encontro, a identificação e empatia se tornam mais fortes a medida em que o protagonista toma decisões e revela seu caráter.

A partir desta construção de identificação, o protagonista passa a ser os olhos e ouvidos da sua audiência na sua história, ou seja, ambos começam a compartilhar emoções e sentimentos. 

Para concluir, ainda resta um último aspecto do protagonista a ser considerado. 

O desejo do protagonista 

Todo protagonista tem um desejo que o motiva e o faz querer enfrentar todos os desafios impostos em sua jornada.

Esse desejo representa um status futuro, seja de conquista, superação, aquisição ou redenção. 

O desejo do seu protagonista pode ser o de ter ou fazer parte da melhor empresa para se trabalhar, de atingir as metas do ano, ter a nota máxima em satisfação do cliente ou qualquer outro objetivo ligado a sua ideia governante. 

Joni Galvão ainda faz uma ressalva:

“Vale aqui dizer que, para a audiência, os esforços do personagem são muito mais significativos do que seu sucesso. Ninguém vai ao cinema para assistir a uma conquista, nem a um jogo para aguardar pelo apito final. Quanto mais difíceis as situações vivenciadas ao longo de uma trama, mais emoção ela terá.”

Por fim, para concluir a construção do protagonista e seu desejo, Joni faz algumas considerações:

  • Coloque seu personagem em situações incômodas. Desafie-o e veja como ele reage.
  • Ao desafiar o protagonista de sua história, estabeleça uma pequena chance para ele vencer. Faça a sua audiência pensar que não tem jeito e, só no final, crie o desafio que será a prova de suas capacidades. Vencendo ou não, o personagem terá chances de se fortalecer diante da audiência.
  • Evite protagonistas passivos, flexíveis e maleáveis ao extremo. O protagonista não pode ser simplesmente um cara legal, não pode ser um sujeito sem sal. Ele precisa conquistar a admiração da audiência e isso só acontecerá se ele tiver personalidade.

#4 As forças antagonistas

O que seria do Batman sem o Coringa? Ou do Super Man sem o Lex Luthor?

Coringa e Lex Luther nas histórias em quadrinhos representam as forças contrárias as vontades e desejos do protagonista (veja como tudo está ligado).

Por consequência, essas forças trazem emoção para história e a deixam interessante. Afinal, como seria a história de um super-herói sem um grande vilão? Certamente sem graça e facilmente esquecível. 

Além de trazer emoções para história, as forças antagonistas revelam as fraquezas do protagonista. Ao contrário do que se imagina, demostrar fraqueza torna a história mais real, pois, elas nos lembram da vida como ela é.

Aliás, temos a tendência a suspeitar quando uma história parece ser “muito boa para ser verdade”. É só lembrar da história da menina que tinha 22 anos e R$ 1.042.000,00 em patrimônio acumulado investindo apenas 3 anos na bolsa de valores. Sim, estamos falando da Bettina:

Não vou entrar no mérito da veracidade dessa história, quero apenas ressaltar a reação incontrolável de duvidar de histórias que apresentam poucas ou nenhuma dificuldade, além de terminar com resultados muito acima da média de qualquer pessoa. 

Se você não se lembra, a empresa responsável pelo vídeo precisou removê-lo após inúmeras reclamações na internet. Fora isso, a Bettina teve que gravar um vídeo pedindo desculpas para a audiência. 

Mas, é claro, a força antagonista da sua história não precisa ser necessariamente uma pessoa, aliás, na comunicação interna, o antagonista normalmente assume outras formas. 

Como desenvolver as forças antagonistas da sua história?

Para te ajudar criar as suas forças antagonistas, Joni Galvão cita alguns exemplos de dificuldades:

  • Internas: uma questão pessoal representada pelas próprias emoções, por exemplo, uma doença etc.
  • Externas: relacionadas a terceiros.
  • Globais: relativas a grandes organizações como instituições, governo e economia. 

Ufa, finalmente você tem todos os elementos de sustentação para sua história, então, agora é hora de começar a escrevê-la. Só que antes, para isso, vamos aos últimos elementos fundamentais para criar boas histórias na sua comunicação interna.

Os elementos de desenvolvimento 

Até aqui você já tem os pilares de sustentação necessários para criar histórias memoráveis e usá-las na sua comunicação interna. Agora, os elementos de desenvolvimento vão te ajudar a construir a ordem dos acontecimentos da sua história, portanto, criando sentido para ela. 

Se você está lendo este artigo como um guia, sugiro que já tenha bem definido todos os elementos anteriores, pois agora, de fato, vamos começar a construir a sua história. 

A partir de agora será bem mais fácil começar a escrever.

Então continue comigo e preste bem atenção nesses últimos elementos do Storytelling, segundo Joni Galvão.

Preparado? Vamos lá

#5 A ambientação

A ambientação normalmente é apresentada no início da história e serve para preparar a audiência.

“Um jogo de futebol começa com o aquecimento, as equipes se estruturam. Então, ambos partem para a batalha”.

Apesar de não ser regra, a maioria das histórias utilizam a ambientação para apresentar o protagonista e sua rotina. Isso serve para estabelecer os pontos de identificação citados no elemento “o protagonista e seu desejo”.

Além disso, a ambientação também serve para te posicionar geograficamente na história. Por exemplo, quantos filmes você não viu que começam mais ou menos como: “em uma pequena cidade do interior” ou “há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante… (Star Wars).

Isso te ajuda a “entrar” naquele universo para compreendê-lo do ponto de vista do protagonista. 

Por exemplo, ao usar o Storytelling para contar a história de criação da sua empresa, você poderia começar no local de nascimento do fundador, ou do local onde ele teve a ideia de construir a empresa. 

A partir daí, você pode contar o que ele fazia e como era a vida dele antes de idealizar a companhia. 

É como se você estivesse usando essa estrutura:

  1. Era uma vez… (local e apresentação do protagonista)
  2. Todo dia (protagonista e sua rotina)
  3. Até que…

Bom, esse “até que” vai quebrar a rotina apresentada e gerar o desejo do protagonista, mas isso é assunto para o próximo elemento.

#6 Incidente incitante 

O incidente incitante causa um desequilíbrio na rotina do protagonista e por consequência justifica o desenrolar da história. 

É como se o protagonista fosse uma bacia cheia d’água parada, mas de repente alguém insere uma vareta dentro dela e começa a chacoalhar. A água, antes estável, sofre um desequilíbrio e se vê em meio ao fluxo desorientado de corrente. 

Voltando na história da criação da sua empresa, o incidente incitante pode ser o fato que gerou o desejo de criar a companhia (desejo do protagonista). 

Esse incidente incitante pode ter acontecido após uma demissão, mudança de cidade, ingresso na faculdade, nascimento de um filho…

Ainda sobre isso, Joni Galvão fornece algumas recomendações para criar seu incidente incitante:

Antes de o incidente incitante acontecer é fundamental que haja ambientação. É nela que a audiência desenvolve empatia pelo protagonista – empatia que faz com que ela se importe com o protagonista e torça por ele a partir do incidente incitante”

”Existe um timing ideal para apresentação do incidente incitante. Se ele custa a chegar, pode acontecer da audiência se desinteressar pela história mesmo no início da ação. Por outro lado, se chega cedo demais, pode ser que a audiência ainda não esteja envolvida o suficiente com o protagonista e não se comova com sua perda de equilíbrio.

Portanto, o incidente incitante é um ponto de virada, ou melhor, o primeiro pronto de virada, pois os próximos pontos de viradas serão assuntos do elemento seguinte.

#7 Complicações Progressivas

As complicações progressivas são pontos de viradas da história definidas pela relação causa e efeito. Essas complicações progressivas tendem a ocupar boa parte do tempo da história. Por isso, Joni Galvão recomenda:

”Sugiro que se estendam durante metade do tempo total disponível para a comunicação, de modo que reste tempo para o início que as precedem e para o desfecho que ocorre logo depois delas.”

As complicações progressivas acontecem logo após o incidente incitante, portanto, representam obstáculos enfrentados pelo protagonista para alcançar seu objetivo. 

Por exemplo: ao despertar o desejo de criar a empresa, o fundador nunca havia gerenciado uma equipe ou mesmo entendia o passo a passo para criar a companhia, então precisou estudar e contratar profissionais, mas o problema era saber em quem confiar, afinal, esse era o negócio da vida dele…

E por aí vai …

Contudo, para não deixar suas complicações progressivas entediantes, Joni faz algumas considerações: 

”Nem todas as complicações devem ter a mesma intensidade. Se compararmos as complicações a buracos que devem ser atravessados pelos protagonistas, alguns devem ser maiores e outros menores, cuidando para que não haja, prematuramente, abismos impossíveis de serem superados (esses interromperiam a jornada do protagonista, marcando o final da história). 

E tem mais:

“Não há nada mais tedioso do que uma comunicação previsível e que não desperte alterações emocionais. Toda história precisa ter algo de inusitado, que fuja do lugar-comum”.

Deste modo, tente criar suas complicações progressivas em escala, ou seja, elas vão evoluindo ao longo da jornada do protagonista até  chegar na última e mais difícil complicação – que também marca nosso 8 e último elemento do Storytelling para você usar na sua comunicação interna.

#8 Final

Chegou a hora de recompensar sua audiência com o resultado de todas as complicações progressivas, é hora de criar uma imagem inesquecível na mente do seu colaborador. 

Neste momento, o primeiro elemento dessa estrutura (ideia governante) se consolida para depois se instalar em um lugar bem guardado na memória da sua audiência. 

Obviamente, todo cuidado é pouco, pois, você já passou pela decepção de ver o final ruim de um filme bom.

Mas, fique tranquilo, Joni Galvão explica as partes que compõem um final bem feito, são elas:

  • Crise: é o ponto de partida do final da história, ou seja, ele começa logo após as complicações progressivas e coloca o protagonista em um grande dilema. 
  • Clímax: a partir da crise, o protagonista escolhe o caminho a seguir, e a consequência dessa escolha é o clímax. É o momento mais desafiante para o protagonista até então, onde ele precisa usar suas últimas forças para superar o último obstáculo (inauguração da empresa, assinatura de um contrato, uma despedida…)
  • Resolução: como o nome sugere, aqui você revela “qual fim levou o protagonista”. Quais foram as consequências do clímax (empresa expandiu, mudou de lugar, abriu capital…). Segundo Joni este também é o momento onde” cai a ficha e tudo fica mais claro”.

Fora isso, para criar um bom final é importante revisar o seu principal objetivo (ideia governante), pois você precisa deixar bem claro o que você espera da audiência, como: participar de alguma atividade, agendar uma próxima conversa ou tomar algum outro tipo de ação. 

Eba! Finalmente você tem todos os elementos para começar a usar o Storytelling na sua comunicação interna e deixar suas mensagens mais interessantes e memoráveis. 

Entretanto, antes de concluir, que tal conferir o exemplo de Storytelling do próximo parágrafo? 

Exemplo de Storytelling

Um bônus pra você que chegou até aqui, ou que pulou direto pra esta sessão, haha (não se envergonhe disso). Veja esse exemplo de Storytelling para inspirar sua própria história.

A história sobre como levamos toda empresa para Disney em 2020

Era fevereiro de 2019, eu ainda não me sentia totalmente acordado quando entrei na sala de conferências de um edifício localizado em Pinheiros, bem próximo de um dos lugares mais famosos da cidade: o largo da Batata.

Meus olhos pesados me fizeram conferir o relógio para saber se não tinha errado o horário de estar ali. 

Abaixei levemente a cabeça quando as luzes do relógio mostravam que eram apenas 7:30 am. 

Ao entrar na sala de conferência, era possível ver uma fileira de cadeiras distribuídas em formato de U tomando toda borda da sala. Cada cadeira estava reservada para um colaborador. 

De repente, chega um sujeito de terno preto, gravata vermelha, altura média e com um rosto daqueles em que você pensa: “deve ser simpático”. Ele está acompanhado de uma mulher e com eles algumas malas do que parecia ser equipamentos de apresentação. 

O sujeito de terno preto era o convidado especial do dia, seria o palestrante do evento anual da empresa, evento este, que acontece todos os anos no mês de Fevereiro. 

O que era para ser um simples dia com números e metas, acabou sendo o começo de uma jornada que resultou nesta foto que tiramos de toda empresa um ano depois em frente ao castelo da Disney em Paris.

time SimbioX na Disney Paris 2020

Mas, já chegamos lá. 

O evento começou com a palestra do Marcelo (o homem de terno preto). O tema era “O jeito Disney de encantar o cliente”. Era a primeira vez que eu e boa parte do nosso time tinha ouvido falar sobre o tema. 

O jeito Disney de permanecer relevante há quase 100 anos

Foi “encantamento à primeira vista”. Descobrir os segredos que construíram uma das maiores e mais antigas empresas do mundo, encheram meu coração de expectativa, afinal, tudo o que aprendemos poderia ser replicado na empresa. 

Para mim, o dia já estava ganho, poderia sair dali satisfeito com tudo que ouvi. Só que algo inesperado, estava por vir… ainda restava uma última surpresa – na verdade, duas. 

Normalmente ao final desse evento são anunciadas as metas e recompensas. A primeira surpresa foi a meta do ano que seria praticamente o dobro do ano anterior. Já a segunda meta fez todos na sala ficarem em silêncio por alguns segundos para assimilar a informação. 

A recompensa era levar toda empresa para a Disney \o/.

entrada parque Disney Paris

Depois de toda emoção inicial, a minha parte cética dizia: isso é inalcançável.

“Com grandes metas, vem grandes responsabilidades” 🕷

A partir daí, começamos duas grandes atividades, uma era descobrir como dobrar o tamanho da empresa em apenas um ano, já a outra era inserir a metodologia Disney nos processos de atendimento ao cliente. 

Não era tarefa fácil, a empresa já tinha mais de 10 anos de mercado e seria como “começar do zero”. 

Todavia, alguma coisa daquela palestra do Marcelo ainda restava em todos nós (Magia Disney, talvez?)

Não à toa, assim que você entrava no escritório, era possível ver um Mickey de pelúcia acima de um dos computadores e pessoas se cumprimentando com um bom dia seguido de um High Five (cumprimento famoso entre os “colaboradores” da Disney)

Ao mesmo tempo, o problema ainda estava em como dobrar de tamanho em um ano.

Então, resolvemos colocar alguns planos em práticas que iam desde mudança de mindset, forma de atender o cliente, e até claro, trabalhar muito. 

No começo parecia não estar funcionando, mas depois, começamos a ver todos os nossos números melhorarem – de entrega a novas vendas.

Acabou, vamos desistir

Tudo parecia ir muito bem, até que então, veio outro grande problema. 

Apesar dos números começarem a melhorar, já tinha se passado mais da metade do ano e estávamos longe de dobrar o faturamento da empresa. 

Com isso, nossa moral e expectativa também já não eram mais as mesmas do começo. 

Naquele momento o sentimento de “acho que já fizemos tudo o que podíamos” começou a crescer. 

Porém, em meio a esta falta de esperança que estava acometendo os colaboradores, uma pessoa se destacou, fazendo toda a diferença. 

Você conhece aquele tipo de pessoa que, quando coloca alguma coisa na cabeça, não há quem tire? Pois bem! Para nossa sorte, tínhamos um desse na empresa. 

E isso ajudou a virar o jogo. 

Lembro de quando perguntava a ele sobre a expectativa de atingir a meta, a resposta era sempre animadora e firme: “podemos, é possível, vamos conseguir!”.

Quando alguns de nós já tínhamos se entregado ao fracasso, ele continuava a acreditar. (I Believe / Je Crois)

O último suspiro

De alguma forma esse sentimento se espalhou pela empresa e começou a nos contagiar, vimos os nossos números crescerem como nunca visto. 

De repente, estávamos há um mês para fechar o ano e com a meta batida. 

final do storytelling, conquista Disney Paris SimbioX

(Veja aqui o post onde comemoramos a vitória: https://bit.ly/38REAOM)

O que parecia impossível, aconteceu. Mas, o que era bom, ficou ainda melhor. 

No final do ano, ultrapassamos a meta em quase 15% – maior faturamento de toda história da empresa. 

Com isso, aprendi duas coisas/lições que eu gostaria de compartilhar: a primeira é: 

Não jogue a toalha antes do final do jogo ou antes do “apito” final,

Já a segunda: 

Se você perdeu as esperanças de bater as suas metas, procure as pessoas mais otimistas e seguras da sua empresa. Elas saberão como te reanimar e renovar as suas forças e esperanças. 

Incrível, não é mesmo? Finalizo com essa frase bastante usada por uma das pessoas que mais acreditou nesse sonho:

 “Eu prefiro sonhar alto e errar, a sonhar baixo e acertar”. –

Luiz Campolongo

Ah… e eu comentei que o nosso prêmio foi a Disney, né? Essa outra frase nunca fez tanto sentido para nós também:

“Se você pode sonhar, você pode fazer”

Walt Disney

No vídeo abaixo, você pode conferir um pouco de como foi a nossa viagem:

E aqui, os melhores stories antes e depois da viagem

Com pandemia ou não, não desista. Você ainda pode chegar lá. A força está em: acreditar!

Conclusão

Storytelling é uma técnica validada por anos através da história da humanidade e eternizada no enorme volume de produções do cinema em todo mundo. 

Então, aproveite e comece a praticar agora o Storytelling utilizando os elementos mostrados nesse artigo. 

Quanto mais você praticar, melhor será o poder da sua história em se tornar memorável.

Antes de ir, última dica: no próximo filme ou seriado que assistir, comece a reparar nos 8 elementos citados neste artigo. Isso fará você treinar seu lado analítico e criativo. 

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