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Comunicação não violenta: aprenda o princípio da comunicação humanizada nas empresas

Comunicação Interna

Comunicação não violenta: aprenda o princípio da comunicação humanizada nas empresas

Cristiano Sacramento
Escrito por Cristiano Sacramento em 19 de janeiro de 2021

Comunicação não violenta (CNV) é um método de comunicação criado pelo PhD em Psicologia, Marshall Rosenberg, e publicado em um livro homônimo de 1999.

O método ensina a como se comunicar com outra pessoa transmitindo sua real necessidade, ou seja, é um forma de aumentar suas chances de ser entendido e atendido.

Quando aplicado na Comunicação Interna, esse método te ajuda a ter uma comunicação clara, humana e efetiva. Assim, tanto colaborador quanto empresas são beneficiados.

Quer aprender a como ter uma comunicação humanizada, clara e efetiva com seus colaboradores?

Então continue acompanhando, pois, neste artigo vou te mostrar a estrutura da CNV para você aplicar agora mesmo na sua empresa.

Afinal, o que é comunicação não violenta?

“Uma das coisas importantes da não-violência é que não busca destruir a pessoa, mas transformá-la.”

Martin Luther King Jr.

Marshall Rosenberg desenvolveu a teoria a partir da observação dos conflitos das décadas de 50 e 70 nos Estados Unidos.

A partir disso, ele descobriu os dois principais elementos que influenciam a forma como demonstramos compaixão para as outras pessoas: a linguagem e as palavras.

Pois, segundo ele:

“A natura humana gosta de dar e receber de forma compassiva”

E isso é fácil de notar, afinal, quem não gosta de iniciar uma conversa onde há apreciação genuína de uma pessoa pela outra?

Baseado nisso, Marshall criou uma estrutura para ajudar qualquer pessoa a se comunicar com a outra demonstrando compaixão, sinceridade e clareza.

E para esta estrutura o psicólogo deu o nome de comunicação não violenta, ou abreviando, CNV.

5 Benefícios da comunicação não violenta

Ao aproveitar os benefícios da comunicação não violenta, você se abre para a oportunidade de construir relações saudáveis.

Mas, como ninguém é ensinado a se comunicar dessa forma, aprendemos a suprir nossas reais intenções ao se comunicar com o outro.

Ou seja, ao invés de observar os sentimentos envolvidos ao fazer um pedido, ou receber uma crítica, usamos defesas como julgamentos, comparações e busca por culpados.

Claro, isso apenas alimenta o atrito de uma relação. Por exemplo: em uma discussão, quantas vezes você saiu convencido do pensamento da outra pessoa?

Por outro lado, ao aplicar a comunicação não violenta na sua empresa, você será capaz de:

  1. Diminuir atrito na relação da empresa e colaboradores;
  2. Comunicar-se com empatia e promover o engajamento e colaboração;
  3. Transmitir claramente o propósito da sua empresa para os colaboradores;
  4. Fazer o colaborador perceber seu interesse genuíno por ele;
  5. Desenvolver um clima organizacional mais saudável.

Agora, que tal conhecer a estrutura da comunicação violenta? Continue lendo.

Estrutura da comunicação não violenta

tabela com os 4 pilares da comunicação não violenta: observação, sentimentos, necessidades e pedido.

O núcleo da comunicação não violenta é divido em 4 partes:

  • Observação
  • Sentimentos
  • Necessidades
  • Pedido

Essa estrutura servirá como um filtro para você usar na comunicação interna.

Veja alguns lugares onde você poderá aplicar:

E outros…

Agora, vamos entendê-los no detalhe?

Observação

A observação dentro da comunicação não violenta é constatar um fato – seja positivo ou negativo.

Por exemplo: “Marcelo não pediu a minha opinião durante à reunião”.

Nesta hora, tome cuidado para não confundir observação com avaliação, pois enquanto a primeira vai te ajudar a se comunicar sem violência, a segunda dará a impressão de um julgamento moral.

Exemplo: na situação acima, ao invés de fazer apenas uma observação, você diria:

“O Marcelo estava com medo de mim e não pediu minha opinião durante à reunião”.

Neste caso, trata-se de avaliação, pois como saber se ele estava com medo?

Sentimento

” Ao lidar com pessoas, lembre-se de que você não está lidando com seres lógicos, e sim com seres emocionais.”

Dale Carnegie

Depois da observação o próximo passo é perceber qual sentimento está relacionado àquela situação, por exemplo: raiva, tristeza, alegria, nojo e felicidade.

Isso é importante, pois somos seres sentimentais, portanto entender o sentimento associado a comunicação criará uma conexão maior com o seu colaborador.

Mas, essa ainda não é hora de expressar um pedido. Esse só será feito na última etapa deste processo.

Necessidade

Antes de continuar, vamos recapitular…

Imagina a situação abaixo:

Você decidiu conversar com um colaborador (ou com todos), pois observou um certo comportamento.

Daí, antes de se comunicar, primeiro você fez uma observação do fato e depois entendeu o sentimento (seu ou da empresa) associado àquela situação.

Ok?

Então, agora é hora de identificar a necessidade associada ao seu sentimento. E esta é a etapa mais importante.

Pois, a maioria dos conflitos (ou violências) são originados de necessidades não atendidas.

E o que fizemos até aqui foi tirar todas as camadas (julgamento, pré-conceitos, impulsos) que impedem você mesmo de descobrir sua real necessidade.

Nota: não estou falando de atender todas as necessidades do colaborador ou da empresa, mas sim como se expressar de forma a dar clareza ao que é necessário fazer.

Ok, mas como identificar essas necessidades?

Segundo a famosa pirâmide de Maslow, há pelo menos 5 grandes necessidades das pessoas:

  • Fisiológicas: comer, beber, dormir, respirar…
  • Segurança: do corpo, emprego, recursos, saúde…
  • Sociais: amizade, família…
  • Estima: auto-estima, confiança, conquista…
  • Autorrealização: moralidade, criatividade, solução de problemas…

Porém, ainda há outras como: senso de pertencimento e propósito.

A partir disso, aplique a necessidade correspondente ao seu sentimento (ou da empresa) para ir para a 4ª e última etapa do processo.

Pedido

Finalmente chegamos na última etapa onde de fato você manifesta seu pedido ou desejo para a outra pessoa.

Sabe como dizemos que há várias formas de dizer uma coisa? Então, é aqui onde você deve aplicar isso com maestria.

Entretanto, ao concluir as etapas anteriores, essa será a mais fácil. Porém, não caia no erro de ser abstrato ou ambíguo, ou melhor, seja claro ao solicitar o que deve ser feito.

Em outras palavras: não confie na bola de cristal das outras pessoas.

Lembrete: aqui seu objetivo é manifestar a necessidade encontrada na etapa anterior, ok?

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Exemplo Comunicação não violenta – evite o primeiro e faça o segundo

Certo, você já viu a estrutura da comunicação não violenta, mas como ela funcionaria na prática?

Veja essa frase:

“A sua falta de comprometimento é impressionante! Você nunca entrega os documentos a tempo e agora, além de termos problemas jurídicos com isso, vamos parecer a pior equipe da empresa por conta da sua falha! Você vai ter que se virar pra explicar isso pra gerência!”

Agora, como transformar essa frase baseada na CNV?

“Percebi que você tem enfrentado problemas para atender os prazos. Posso ajudá-lo de alguma forma? É muito importante para a empresa que esses documentos sejam entregues.

Todo o time confia muito em você, e tenho certeza de que superaremos esse desafio.”

Analisando as duas frases, seja sincero: qual dos pedidos te ajudaria a melhorar seu trabalho?

Claro, você pode fazer igual ao primeiro caso e até conseguir resultados, mas para qual caminho você levaria sua equipe e empresa? Pense nisso!

“A força gerada pela não violência é infinitamente maior do que a força de todas as armas inventadas pela engenhosidade do homem.”

Mahatma Gandhi

Quais sãos os vilões da CNV e como identificá-los?

foto preto e branca com a silhueta de uma com chapéu. Comunicação não violenta

Se a comunicação não violenta é uma forma de se comunicar com honestidade, sinceridade e compaixão, o que nos impede de fazê-la?

Veja 5 razões:

  • Julgamento moralizador: pressupõe que o outro tem uma natureza má;
  • Comparações com outras pessoas: provoca a ansiedade, frustração e incompreensão;
  • Negação de responsabilidade: sempre em busca de alguém para colocar a culpa;
  • Rótulos: comunicação baseada em “pré-conceitos” acerca de alguém;
  • Chantagem: comunicar por motivações egoístas.

Por outro lado, ao se praticar a comunicação não violenta, deve-se buscar:

  • Autoconhecimento: entender os fatos, sentimentos e necessidades envolvidas;
  • Interesse em ouvir: ouvir atentamente sem julgamento ou comparações;
  • Empatia: buscar a compressão através de sentimentos e necessidades do outro.

Como aplicar a CNV na comunicação interna?

pessoas sentadas em um sofá falando sobre comunicação não violenta

Como visto, a CNV aplicada à comunicação interna vai evitar conflitos, desentendimentos e promover o engajamento entre os colaboradores.

Agora, como aplicar?

Primeiro, use a estrutura proposta neste artigo em todos os seus pedidos ou comunicados.

Segundo, ao elaborador sua comunicação analise e evite:

  • Pensamentos que indique julgamento e críticas;
  • Falta de clareza no seu comunicado. Dica: envie seu texto para uma pessoa fora da organização e peça para ela indicar o grau de entendimento da sua mensagem;
  • Veja se não há algum tipo de avaliação na sua observação (voltepara o tópico “observação” para entender melhor…)

Sobretudo, pratique a empatia. Isso requer um esvaziamento de si para escutar o outro de forma verdadeira.

“Saber ouvir quase que é responder.”

Pierre Marivaux

Por fim, outra forma de praticar a CNV na sua comunicação é adicionando outro recurso, o Storytelling. Dessa forma, além de se comunicar sem violência, sua mensagem será memorável.

Para aprender mais sobre como aplicar Storytelling na sua comunicação interna, dá uma olhada neste artigo.

Conclusão

Comunicação não violenta, como visto, não traz elementos novos, na verdade, a CNV é essencialmente agirmos como humanos.

Ou seja, ela é um lembrete sobre como deveriam ser nossas relações interpessoais, com isso, as de trabalho também.

Na prática, quando incorporada na cultura da empresa, ela promove a humanização da comunicação.

Isto é, colaboradores se conectando de verdade uns com os outros e com a empresa.

Desta forma, o ambiente estimula o engajamento, compreensão e, claro, os resultados.

E, antes de partir, tenho uma dica de ouro…

Além da comunicação não violenta, que agora você já sabe o que é e como aplicá-la na comunicação interna da sua empresa, você pode continuar aprendendo a criar conexões reais, humanas e honestas com seu colaborador de outras formas também.

Para isto, te recomendo ler nosso artigo:

“Como fazer amigos e influenciar pessoas” 10 princípios de comunicação interna para engajamento no trabalho”.

São lições fundamentais extraídas de um dos livros mais vendidos de todos os tempos. Não vai perder, né? Veja o conteúdo aqui.

E aí,

o que você achou deste conteúdo? Conte nos comentários.

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2 Replies to “Comunicação não violenta: aprenda o princípio da comunicação humanizada nas empresas”

Maura Salete

Amei o artigo, posso usa-lo como base para uma palestra, pontuando a fonte?

Cristiano Sacramento

Olá Maura. Claro, sem problemas 🙂