Com a expansão da internet nos últimos anos, não seria exagero nenhum pensar nela como um vasto novo mundo, cheio de informações e de fácil acesso a todos. Em constante evolução, a web se adaptou para pessoas com diferentes idiomas, de diferentes idades e até mesmo nos locais mais remotos do planeta.

Nessa busca de alcançar todas as pessoas, uma das medidas mais importantes a serem tomadas é a de aumentar a acessibilidade na web.

Segundo artigo publicado na UNESCO, só no Brasil, 24% da população é portadora de algum tipo de deficiência. Como a internet é um de nossos instrumentos mais importantes na atualidade, é primordial que existam maneiras de facilitar o acesso para essas pessoas.

Como melhorar a acessibilidade na web?

Se você atua na área da tecnologia e internet (desde realizando postagens em um blog ou desenvolvendo sites e aplicativos), existem diversas ferramentas de acessibilidade na web prontas para serem implementadas em seu site ou sistema de forma simples e totalmente eficaz.

#PraCegoVer

acessibilidade na web no instagram
Post Instagram: Patricia Braille

Se você é antenado nas redes sociais como o Facebook ou Instagram, já deve ter visto essa hashtag por aí. Ela pertence a uma campanha criada pela baiana Patrícia Braille, especialista em acessibilidade na web para deficientes visuais.

Por mais que os smartphones tenham uma boa tecnologia de leitura de texto, ainda carece na parte de transcrição de imagens, coisa que os algoritmos têm dificuldade para interpretar.

Para dar uma ajudinha, ao realizar alguma postagem com imagem em seu blog ou rede social, coloque a hashtag #PraCegoVer e, em seguida, descreva a imagem da seguinte forma: da esquerda pra direita, de cima pra baixo, descrevendo tonalidade de cores e os elementos presentes na foto. Isso irá auxiliar os deficientes (visuais ou com dislexia, por exemplo) a absorver o máximo possível da postagem, interpretando a imagem através da detalhada descrição.

HandTalk

acessibilidade na web pela aplicação handtalk

Ferramentas que transformam conteúdo textual em áudio? Felizmente existem várias por aí, como a extensão para Google Chrome chamada Select and Speak. Porém, este tipo de ferramenta não é tão eficaz para deficientes visuais, já que a maioria dos surdos não compreende português e precisa da Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) para se comunicar.

Com isso, surge o HandTalk, ferramenta utilizada em diversos sites grandes, como o da Samsung. A ideia é simples: Hugo, personagem em 3D criado para gesticular em Libras, fica no canto direito da tela. Assim, basta selecionar o texto desejado e ele irá traduzir visualmente para a nossa linguagem de sinais. Para mais informações, acesse handtalk.me.

Esta simples e poderosa ferramenta é primordial em um site ou blog, ajudando a internet a se tornar um lugar para todos.

Mas, e as cores?

Com a identidade visual sempre presente na web, usuários com daltonismo podem ter dificuldade para assimilar e até mesmo visualizar certos conteúdos. Para isso, a principal medida é a empatia: adaptar o seu site, aplicativo ou sistema para que qualquer pessoa possa assimilá-lo bem.

O site ColorFilter tem se mostrado de suma importância, já que ele simula como o seu site ficaria para cada tipo de daltonismo existente. Assim, se torna bem mais simples realizar adaptações.

Além disso, é extremamente importante que as informações não se expressem apenas e exclusivamente pela cor, mas também com palavras e outros elementos. Assim, um gráfico pode fazer sentido mesmo que não seja interpretado de acordo com a cor.

Mas, não devemos esquecer da experiência tipográfica, que também pode afetar pessoas com daltonismo. Alguns tipos de fontes são difíceis de assimilar e, dependendo da cor, podem ser quase imperceptíveis. Então, além de variar entre cores para causar destaque em um texto, procure encontrar também outras formas de destaque, como deixar em itálico.

Tudo isso irá facilitar a vida de pessoas com essa condição, trazendo a acessibilidade na web para mais pessoas.

Dislexia, internet e acessibilidade na web

Quando se trata de quebrar barreiras que impedem as pessoas de acessar a internet, as soluções para dislexia não ficam só na teoria.

Como a condição afeta a compreensão e assimilação de letras e frases, é importante tomar medidas que maximizem ao máximo a legibilidade de um conteúdo. Por exemplo: Fontes serifadas ou volumosos textos em um fundo inteiro branco são práticas que atrapalham e muito as pessoas com dislexia. Clicando aqui, você pode ver um artigo bem detalhado no Medium que cita 6 práticas que dificultam a leitura de disléxicos.

Para auxiliar ainda mais este grupo de pessoas, existem fontes desenvolvidas especialmente com o intuito de serem tipografias mais claras e precisas. Assim, pode ser uma ótima medida utilizar alguma dessas fontes como padrão ou criar um modo especial de seu site para pessoas com dislexia.

Algumas dessas fontes são: 

  • Dyslexie;
  • Sylexiad;
  • Lexia Readable.

Um pouco mais de teoria

A W3C ( World Wide Web Consortium), organização mundial que desenvolve padrões e orientações para a web, criou o Web Content Accessibility Guidelinesdocumento que traz importantes orientações de acessibilidade na internet. Segundo o documento, um site precisa seguir 4 princípios primordiais para ser considerado acessível:

Ele precisa ser perceptívelonde a interface e o conteúdo devem estar claros para todos.

Fora isso, é extremamente importante que seja operávelpodendo ser facilmente utilizado por todos os tipos de usuários, com deficiência ou não.

Deve ser compreensívelcom informações apresentadas de forma clara e compreensíveis.

Não menos importante, o site deve ser robusto, estruturalmente preparado para receber qualquer tipo de ferramenta de acessibilidade.

Com este guia bem estruturado, se torna gradativamente mais simples de encontrar um norte e a buscar a ferramenta mais adequada.

A ferramenta mais importante para melhorar a acessibilidade na web: A conscientização!

Na prática, existem muitas ferramentas e sites que facilitam a vida de pessoas portadoras de diversos tipos de deficiência.

Porém, tudo pode ser em vão se não repassarmos a ideia de que é extremamente necessário.

A partir do momento que temos em mente a importância de tornar um site acessível, as medidas irão aumentar cada vez mais. Para ajudar, não precisa ser um desenvolvedor de sites ou um profissional de TI, basta sempre compartilhar com as pessoas o quanto isso pode significar para um portador de algum tipo de deficiência.

Afinal, todos merecem estar conectados, da maneira mais confortável possível 🙂

Você conhece outro dica que pode ajudar a tornar a web mais acessível? Não guarde para você, compartilhe aí nos comentários.

Tags:
Tecnologia
Post by Bruno Santos
Janeiro 6, 2020

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